A neuroplasticidade e a aprendizagem
A Neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso mudar sua estrutura ou função em resposta à experiência ou ao aprendizado. Embora seja mais pronunciada na infância, pesquisas mostram que o cérebro adulto e idoso ainda mantém plasticidade significativa. O estudo “Learning a Second Language in Adulthood Changes Subcortical Neural Encoding” indica que adultos que começaram a aprender uma língua tonal demonstraram melhoria na codificação neural subcortical, comparado com aqueles sem experiência com a língua. Uma outra revisão sistemática contida no “Does Second Language Learning Promote Neuroplasticity in Aging?” mostra que o aprendizado de segunda língua em adultos mais velhos está associado a melhoras na capacidade de atenção, memória de trabalho, inibição (controle de impulsos), e mudanças funcionais e estruturais no cérebro.
Os benefícios cognitivos de se aprender um idioma estrangeiro: ampliação da reserva cognitiva e retardamento do declínio.
Reserva cognitiva é a “folga” ou capacidade extra do cérebro de tolerar danos ou declínios sem que apareçam sintomas de disfunção cognitiva. Atividades estimulantes ajudam a construir essa reserva. Uma revisão/estudo em adultos mais velhos descobriu que o aprendizado de uma segunda língua melhora o “executive control” (funções executivas): habilidade de alternar entre tarefas, inibição de distrações, memória de trabalho. Um outro estudo intitulado “Second Language Learning in Older Adults: Effects on Brain Structure and Predictors of Learning Success” feito com 160 suecos de entre 65 e75 anos, demonstrou que 11 semanas de curso de italiano produziram mudanças estruturais significativas no cérebro em regiões ligadas à linguagem e memória. Um estudo recente mostrou que a aprendizagem de língua estrangeira em adultos mais velhos altera a conectividade funcional de regiões cerebelares com córtex, com sobreposição de regiões receptoras de neurotransmissores relacionados à plasticidade.
A aquisição de uma segunda língua pode trazer inúmero benefícios pois cdminar o inglês pode abrir portas de trabalho, permitir acesso a literatura, ciência, informação global, cultura e interações internacionais. Além disso, indivíduos bilíngues frequentemente apresentam melhor desempenho em tarefas que exigem multitarefa, tomada de decisão rápida, filtragem de informações irrelevantes. Essas habilidades são valorizadas em ambientes acadêmicos e profissionais. Por outro lado, o desenvolvimento de vocabulário, compreensão auditiva, expressão oral e escrita em inglês possibilita acesso a mais recursos (cursos, publicações, internet) que favorecem aprendizagem ao longo da vida.
Começar “mais tarde” com resultados reais
Existe uma crença comum de que aprender uma língua não vale mais a pena depois de certa idade, mas isso é contestado pelas pesquisas. O mesmo estudo sueco, citado acima, provou que adultos entre 65-75 anos conseguiram mudanças estruturais cerebrais após 11 semanas de curso de língua estrangeira. Em “Frontiers | Second language learning in older adults modulates Stroop task performance and brain activation” os autores relatam que idosos melhoraram no desempenho de tarefas que envolvem controle atencional (como o Stroop) depois de aprenderem nova língua — mostrando que não apenas há progresso, como há transferência para outras funções cognitivas.
Motivação, autoestima e bem-estar
Aprender uma segunda língua envolve desafios, mas também reconhecimentos, que trazem satisfação pessoal. Isso pode aumentar a autoestima, o senso de conquista e promover autodisciplina. Ao mesmo tempo, ter acesso a uma nova língua amplia suas possibilidades culturais, amizades, viagens, entretenimento etc. Isso contribui para melhor qualidade de vida, especialmente em idades mais avançadas onde isolamento social pode ser um problema.
Competitividade e empregabilidade no mundo globalizado: o inglês nesse contexto
Mercado de trabalho: Num mundo conectado, habilidades em inglês são frequentemente requeridas ou valorizadas — seja em empresas internacionais, em ciência, tecnologia, turismo, diplomacia, comércio exterior.
Acesso à informação: Grande parte do conteúdo acadêmico, científico e tecnológico está em inglês. Leitura e compreensão no idioma abrem portas para conhecimento atualizado.
SEO e visibilidade digital: Saber inglês aumenta as chances de produzir conteúdo (artigos, vídeos, blogs) que alcance audiência global, além de facilitar uso de ferramentas, softwares, documentação técnica.
Na verdade para ser equilibrado, é importante reconhecer algumas limitações que aparecem nas pesquisas:
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Alguns estudos mostram que cursos de língua com baixa intensidade ou poucas horas semanais têm efeitos menores ou quase nulos em certas funções cognitivas.
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A fluência completa (especialmente pronúncia nativa) pode ser mais difícil de atingir em idades mais avançadas, principalmente em fonética, entonação e acento – mas lembre-se: você não precisa falar tal e qual o falante nativo, o importante é se comunicar.
- Aprender, em qualquer idade, exige esforço, motivação constante e boas metodologias de ensino. Não basta “querer”; é preciso prática, exposição e retomada frequente.
Enfim, não existe uma idade ideal única para começar a aprender inglês — os benefícios começam cedo, mas continuar ou iniciar tardiamente continua a trazer vantagens reais, cognitivas, estruturais, profissionais e de bem-estar. Aprender inglês em qualquer idade é não apenas possível, mas altamente recomendável, desde que acompanhado de prática consistente, metodologia adequada e motivação.
Fontes: Wiley Online Library; PubMed; Frontiers; Reddit+2PubMed+2.